Se a televisão fosse uma mídia de mão dupla, no sentido de sentir a receptividade da audiência de imediato, fisicamente, talvez o mundo artístico teria mais um meio de comemorar os 50 anos de profissão do ator Fábio Sabag. Por enquanto, é no teatro que ele, com mais de 48 filmes e um denso currículo como produtor, diretor e atuações em novelas, celebra o júbilo.
A peça é Eu, Um Ator, do dramaturgo alemão Tankred Dorst. “A televisão é híbrida, porque não conta com a reverberação da platéia. E no cinema, a gente atua em pequenas tomadas. No teatro não. Abre e fecha interpretação. É a arte mais completa para o ator”, diz Fábio.
Em cena, corre a história de Feuerbach, um velho ator, que retorna, após sete anos, ao teatro para retomar um antigo projeto cênico e acaba envolvido em um jogo em que não se sabe ao certo se é real ou fruto de sua loucura. “O personagem, na realidade, ficou sete anos num manicômio, e só no desenrolar da história ficamos sabendo que ele esteve louco”, conta Fábio.
Dirigida e traduzida por Caco Coelho, a montagem aborda a solidão e paixão do ator. “É um texto extremamente poético e, ao mesmo tempo, um desabafo. Fala das ambições, fracassos e loucura que todos temos dentro de nós”, afirma o ator.
